Levantamento as built em BIM: nuvem de pontos
Por Construção ConectadaPublicado em
O que é um levantamento as built em BIM
Quem vai reformar uma planta, ampliar um data center ou fazer manutenção num edifício já descobriu que a prancha do projeto executivo raramente mostra o que está lá dentro. O levantamento as built em BIM resolve esse ponto de partida. Ele registra, num modelo, o que foi executado ou o que existe hoje, com a informação de cada elemento.
O trabalho tem três partes. A captura em campo gera uma nuvem de pontos, que é um conjunto enorme de medições da superfície do que existe. A modelagem transforma essa nuvem em elementos BIM por disciplina. O data book reúne documentos, revisões e registros que acompanham o modelo na entrega. Na Construção Conectada, a captura em campo é feita por empresa parceira especializada, e a nossa equipe cuida da conversão em modelo e da conferência.
Da nuvem de pontos ao modelo, passo a passo
A nuvem de pontos não é o modelo. Ela mostra a superfície que o equipamento enxergou, sem saber o que é parede, eletroduto ou viga. Quem modela interpreta a nuvem e cria cada elemento com tipo, material e posição. Uma fonte técnica sobre registro de edificações descreve a nuvem como algo que pode chegar a bilhões de pontos e que, por isso, costuma ser reduzida antes de virar desenho ou modelo.
- Escopo fechado antes da captura, com os sistemas que entram e o nível de detalhe de cada um.
- Captura em campo com posições suficientes para reduzir áreas escondidas.
- Registro das varreduras numa nuvem única e conferência do alinhamento.
- Modelagem por disciplina sobre a nuvem, com tolerância declarada.
- Conferência do modelo contra a nuvem e contra os documentos da obra, antes da entrega.
O que a nuvem de pontos não mostra
O que está atrás de um forro, dentro de uma parede ou sob um piso não aparece na captura. O mesmo vale para superfícies escondidas por equipamentos. A literatura de registro de edificações descreve essas áreas como zonas de sombra, onde a informação se perde e algumas lacunas são preenchidas por suposição.
Para o comprador, isso muda a conversa de escopo. Vale pedir que o modelo marque o que foi medido e o que foi assumido, de modo que quem opera o ativo saiba onde confirmar antes de abrir uma parede. Tubulação enterrada ou embutida costuma pedir outra fonte de informação, como o as built de quem executou ou uma inspeção localizada.
Tolerância e nível de detalhe, o que combinar por escrito
Modelo sem tolerância declarada é opinião. A mesma fonte técnica cita, como exemplo, modelos de superfície com desvio máximo declarado em relação à nuvem, na casa de 5 ou 10 milímetros. O número certo depende do uso. Para planejar a passagem de uma tubulação nova, a tolerância costuma ser mais apertada do que para um estudo de ocupação de sala.
Combine por escrito quais elementos entram, com que detalhe, e como cada um será conferido. Se a entrega for em formato aberto como IFC, a equipe de operação consegue consultar o modelo sem depender de quem o criou.
| Pergunta | Por que importa |
|---|---|
| Qual a tolerância do modelo em relação à nuvem? | Define se o modelo serve para projetar a intervenção ou só para estudar espaço. |
| O que foi medido e o que foi assumido? | Diz onde confirmar em campo antes de abrir ou demolir. |
| Quais sistemas entram e em que detalhe? | Evita descobrir na entrega que as instalações ficaram de fora. |
| Em que formato a entrega chega? | Formato aberto permite consulta pela operação sem licença do autor. |
| Como o modelo foi conferido? | Conferência contra nuvem e documentos é o que separa modelo de desenho bonito. |
Data book: o que precisa acompanhar o modelo
O data book é o conjunto organizado do que o dono do ativo precisa para operar, manter e intervir. Ele reúne documentos de projeto e de obra, revisões, registros do que foi executado e, quando o contrato pede, as informações dos equipamentos instalados. O que entra exatamente depende do contrato e da operação, e por isso o escopo deve citar o formato de recebimento.
O teste de qualidade é simples. Alguém da operação, que não participou da obra, precisa conseguir achar a informação de um elemento a partir do modelo. Se depender de ligar para quem modelou, o data book ainda não está pronto.
As-built progressivo e o que fazer na segunda-feira
Em obra nova, o caminho mais barato em esforço é atualizar o modelo conforme as frentes terminam, e não reconstruí-lo no fim. O que mudou no canteiro entra no modelo enquanto a equipe que decidiu ainda está lá para explicar.
No setor público federal, o Decreto 10.306/2020, que trata do BIM em obras e serviços de engenharia da administração federal, prevê a partir de 1º de janeiro de 2024 a atualização do modelo e de suas informações como construído, o as built, e a partir de 1º de janeiro de 2028 o gerenciamento e a manutenção do empreendimento depois de construído, nas obras de média ou alta relevância.
Na segunda-feira, escolha um ativo que você já opera e responda a três perguntas. Existe um registro confiável do que está construído? Quem consegue consultá-lo? O que precisa ser medido de novo antes da próxima intervenção? A resposta desenha o escopo do levantamento. Se a sua empresa quer conversar sobre o as built do seu ativo, escreva para a Construção Conectada pelo WhatsApp +55 11 93262-8591 ou em construcaoconectada.com/contato.
Perguntas frequentes
O que é nuvem de pontos?
É um conjunto de medições tridimensionais da superfície do que existe, geradas por laser scanner ou fotogrametria. Ela serve de base para o modelo, mas sozinha não diz o que é cada elemento. A modelagem BIM interpreta a nuvem e cria parede, laje, tubulação e demais elementos com informação.
Qual a diferença entre as built e as designed?
O projeto original mostra a intenção. O as built mostra o que foi construído, incluindo as mudanças feitas no canteiro. Em reforma e ampliação, a diferença decide se a intervenção cabe no espaço real ou se vai exigir ajuste no meio da obra.
A Construção Conectada faz a captura com laser scanner?
A captura em campo é feita por empresa parceira especializada. A nossa equipe converte a nuvem de pontos em modelo BIM por disciplina, no nível de detalhe do escopo, e confere o resultado contra a nuvem e os documentos antes de entregar.
Em que formato o modelo as built deve ser entregue?
Formato aberto, como IFC, permite que a equipe de operação consulte o modelo sem depender do software de quem modelou. Vale combinar também o formato de federação usado pela obra e o formato de recebimento do data book.
Quando faz sentido o as built progressivo?
Em obra nova ou em reforma longa, quando as frentes terminam em momentos diferentes. Atualizar o modelo a cada frente evita reconstruir tudo no fim e mantém no registro as decisões tomadas no canteiro.