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Custo do m² (SINAPI): como ler a série oficial

Por Construção ConectadaPublicado em

O que o custo médio do m² mede

O diretor financeiro pergunta se o custo da obra está subindo mais do que a inflação, e o orçamentista procura um número para responder. A série do custo médio do m² do SINAPI é um bom ponto de partida. Ela vem do Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, do IBGE, publicada na tabela 2296 do SIDRA sob o título de custo médio do m² em moeda corrente e variações percentuais no mês, no ano e em doze meses.

A periodicidade é mensal, e a tabela, segundo os metadados do IBGE, se estende desde março de 1986. Cada mês traz o custo médio nacional do metro quadrado, em reais, e a variação desse custo. É uma média de referência para a tendência, e não uma proposta de preço para uma obra determinada.

Os valores mais recentes na data da coleta

A coleta foi feita em 30/10/2026, direto da base do IBGE, com a conferência de que o nome da variável devolvida era o esperado, custo médio do m² em moeda corrente. A série é atualizada pelo IBGE todo mês, de modo que este artigo mostra uma fotografia e não promete valores futuros. Para o dado do mês em que você lê, consulte a tabela 2296 do SIDRA.

Custo médio do m² (SINAPI), Brasil, abril a setembro de 2026, em reais (coleta de 30/10/2026)
MêsCusto médio do m² (R$)
Abril de 20261.946,09
Maio de 20261.953,08
Junho de 20261.976,37
Julho de 20261.985,10
Agosto de 20261.993,76
Setembro de 20261.999,73

Material e mão de obra: o que cada componente conta

A mesma tabela separa o custo em dois componentes, material e mão de obra, e a soma dos dois fecha o custo total. Em setembro de 2026, o componente material foi de R$ 1.127,17 e a mão de obra, de R$ 872,56, que somam os R$ 1.999,73 do mês.

Comparado com setembro de 2025, quando o custo total era de R$ 1.872,24, o aumento em doze meses foi de cerca de 6,8%. Por componente, o material subiu cerca de 5,5% (de R$ 1.068,14 para R$ 1.127,17) e a mão de obra cerca de 8,5% (de R$ 804,10 para R$ 872,56). São cálculos da Construção Conectada sobre os valores da série, e não variações publicadas por ela. Olhar o componente ajuda a saber onde a pressão de custo está, e portanto qual contrato renegociar primeiro.

Cuidados de leitura antes de usar o número

O custo médio do m² é uma média nacional de uma cesta de serviços e insumos. Uma obra com estrutura metálica, fachada especial ou fundação profunda não se parece com a média, e o orçamento dela vem de composições específicas. A série mostra a direção do mercado e deixa de fora o preço da sua obra.

Há três cuidados. O primeiro é separar valor em reais, que depende da inflação do período, de variação percentual e de número-índice. O segundo é conferir o recorte territorial, pois a tabela também traz grandes regiões e unidades da federação, além do total do Brasil. O terceiro é conferir o rótulo da variável antes de citar, porque a mesma tabela traz o custo em reais, em número-índice e as variações, e é fácil confundir uma pela outra.

  • Use o valor em reais para dimensionar ordem de grandeza e o número-índice para comparar períodos.
  • Cite sempre o mês de referência e a data em que você consultou a tabela.
  • Declare o recorte territorial (Brasil, região ou estado).
  • Distinga o custo total dos componentes material e mão de obra.
  • Deixe claro quando a variação foi calculada por você sobre a série.

Onde o SINAPI aparece nas obras públicas

A Lei 14.133/2021 manda que, nas obras e serviços de engenharia que não sejam de infraestrutura de transporte, o valor estimado considere custos unitários menores ou iguais à mediana do Sinapi (art. 23, § 2º). O SINAPI, portanto, deixa de ser apenas um índice e vira referência de orçamento em contratação pública.

Para a empresa que orça obra pública, isso muda a rotina. O orçamento em modelo, com quantidades extraídas e composições de referência, precisa guardar a data-base da composição e o recorte da tabela usada, para que a conferência do contratante seja repetível.

Como usar a série na decisão e o que fazer na segunda-feira

Na segunda-feira, abra a tabela 2296 do SIDRA e anote os dois componentes dos últimos doze meses. Compare com a evolução do que a sua empresa pagou em material e em mão de obra no mesmo período. Se o seu custo andou acima da série, vale perguntar se foi escolha de especificação ou perda de negociação. Se andou abaixo, vale registrar o que a equipe de suprimentos fez de diferente.

O número da série orienta a conversa, e a decisão sai dos seus contratos e das suas composições, com a data-base de cada preço anotada ao lado. Se a sua empresa quer conversar sobre orçamento e quantitativo a partir do modelo, escreva para a Construção Conectada pelo WhatsApp +55 11 93262-8591 ou em construcaoconectada.com/contato.

Perguntas frequentes

O que é o custo médio do m² do SINAPI?

É uma série mensal do IBGE, publicada na tabela 2296 do SIDRA, com o custo médio do metro quadrado da construção em reais, dividido em material e mão de obra. Serve para acompanhar a tendência do mercado, e não para precificar uma obra específica.

Qual o custo do m² mais recente do SINAPI?

Na coleta de 30/10/2026, o mais recente era o de setembro de 2026, de R$ 1.999,73 por metro quadrado no Brasil. O IBGE atualiza a série todo mês, então o dado do mês corrente deve ser consultado diretamente na tabela 2296 do SIDRA.

Posso usar o custo médio do m² para orçar uma obra?

Para ordem de grandeza, sim. Para orçamento, não. A média nacional não reflete tipologia, sistema construtivo nem local da sua obra. O orçamento sai de quantidades do projeto e de composições de custo adequadas ao que será construído.

O que são os componentes material e mão de obra?

São as duas partes do custo médio do m², que somadas dão o total. Em setembro de 2026, o material era de R$ 1.127,17 e a mão de obra, de R$ 872,56. Acompanhar os dois ajuda a ver onde a pressão de custo está.

De onde vem o SINAPI e como cito corretamente?

O SINAPI é o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, do IBGE. Cite a tabela 2296 do SIDRA, o mês de referência, o recorte territorial e a data da consulta. Informe também quando a variação foi calculada por você.

Fontes

  1. IBGE, SIDRA, tabela 2296, metadados (Custo médio m² em moeda corrente e variações percentuais, SINAPI) (acessado em 30/10/2026)
  2. IBGE, SIDRA, tabela 2296, valores do custo médio do m², variável 48, Brasil (coletados em 30/10/2026) (acessado em 30/10/2026)
  3. IBGE, SIDRA, tabela 2296, componentes material e mão de obra, variáveis 2119 e 2120 (coletados em 30/10/2026) (acessado em 30/10/2026)
  4. Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021 (Lei de Licitações e Contratos Administrativos), texto no Planalto (acessado em 30/10/2026)

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