Quantitativo 5D: do modelo ao orçamento
Por Construção ConectadaPublicado em
O que é quantitativo 5D e quando ele serve
O orçamentista recebe a revisão nova do projeto na sexta-feira e a diretoria quer o número na segunda. Com o levantamento feito à mão, cada revisão obriga a refazer a contagem de formas, de aço, de metros de tubulação. No quantitativo 5D, a contagem sai do próprio modelo e se ajusta quando o modelo muda.
A sigla 5D indica a quinta dimensão do modelo, o custo, somada às três dimensões do espaço e ao tempo do planejamento 4D. Na prática, é o vínculo entre um elemento modelado, a quantidade que ele representa e a composição de custo que o precifica. O Decreto 10.306/2020 já lista a orçamentação entre os usos do BIM na fase de execução de obras públicas federais, o que mostra que o tema saiu da teoria.
As etapas entre o modelo e o orçamento
O caminho é curto no desenho e exigente na execução. Cada etapa abaixo precisa de um responsável com nome, porque é na passagem de uma para outra que a quantidade se perde.
- Combinar o critério de medição por serviço antes de modelar, para que o modelo carregue o que será medido (área de forma, volume, comprimento, unidade).
- Classificar cada elemento do modelo por um sistema comum, de modo que a mesma peça tenha o mesmo código no projeto, no orçamento e na compra.
- Extrair as quantidades por pavimento, por disciplina e por serviço, com a regra de arredondamento escrita.
- Ligar cada grupo de quantidade a uma composição de custo, própria ou de referência.
- Conferir uma amostra contra o levantamento tradicional e registrar a diferença e a causa.
- Congelar a versão do modelo usada, com data, para que o orçamento aprovado aponte para um modelo preciso.
O que o modelo precisa trazer para a quantidade ser confiável
Um modelo bonito pode dar quantidade errada. O que decide é a informação por trás da geometria. Peças modeladas como um bloco único, camadas de parede sem material definido e elementos duplicados entre disciplinas fazem a extração somar o que não existe ou omitir o que existe.
A família de normas ABNT NBR 15965 oferece o vocabulário comum para essa ligação. A Parte 5, de 05/2022, trata dos sistemas de classificação 3E, de elementos, e 3R, de resultados dos trabalhos. A Parte 4, de 04/2021, trata da classificação 2C, de produtos. Ao usar essas tabelas, o elemento do modelo, o serviço do orçamento e o produto da compra falam a mesma língua. Antes de contratar, confirme com a ABNT a situação de cada edição, porque catálogos de venda mostram avisos conflitantes sobre vigência. Escreva no contrato a parte e a data da edição adotada.
Quantidade do modelo e levantamento tradicional: onde cada um serve
Os dois métodos convivem bem quando o papel de cada um fica claro. A tabela resume a comparação que o orçamentista faz na prática.
| Situação | Levantamento a partir do modelo | Levantamento tradicional |
|---|---|---|
| Revisão frequente de projeto | Recalcula a partir da nova versão do modelo | Exige refazer a contagem de cada item afetado |
| Itens repetitivos e geométricos (formas, alvenaria, tubulação) | Boa aderência, desde que o elemento esteja bem modelado | Trabalhoso, sujeito a erro de transcrição |
| Itens de serviço sem geometria (mobilização, limpeza, ensaios) | Não vêm do modelo, entram por composição própria | Seguem como sempre |
| Conferência de uma extração nova | Amostra comparada com a tradicional por pavimento | Serve de referência na primeira rodada |
Como ligar a quantidade ao preço
A quantidade só vira orçamento quando encontra um preço. Em obra pública, a Lei 14.133/2021 manda que o valor estimado de obras e serviços de engenharia use o SINAPI como referência (art. 23, § 2º), e a mesma lei diz que será adotado preferencialmente o BIM nas licitações de obras e serviços de engenharia e arquitetura (art. 19, § 3º). Para o orçamentista, isso significa que a composição referenciada e a quantidade extraída precisam usar a mesma unidade de medida.
Na obra privada, a composição costuma ser a da própria construtora, com produtividade medida em campo. O mesmo princípio vale. Cada composição declara a unidade, e cada grupo de quantidade do modelo é extraído nessa unidade. Quando as duas pontas não coincidem, aparece o clássico erro de metro quadrado de parede contra metro quadrado de revestimento.
O que conferir na entrega e o que fazer na segunda-feira
Ao receber um quantitativo extraído de modelo, peça quatro coisas escritas. A versão do modelo usada e a data. O critério de medição por serviço. A lista de elementos que ficaram de fora e por quê. A amostra de conferência contra o levantamento tradicional, com as diferenças explicadas.
Faça a conta de uma extração piloto, e só depois discuta ferramenta. Na segunda-feira, escolha um serviço repetitivo da sua obra, como alvenaria ou forma de um pavimento, e compare a quantidade do modelo com a do seu orçamento. A diferença mostra o quanto o modelo já está pronto para sustentar o orçamento e onde falta informação. Se a sua empresa quer conversar sobre quantitativo a partir do modelo, escreva para a Construção Conectada pelo WhatsApp +55 11 93262-8591 ou em construcaoconectada.com/contato.
Perguntas frequentes
O que significa 5D em BIM?
É a dimensão de custo do modelo. Soma-se às três dimensões do espaço e ao tempo do planejamento 4D. Na prática, liga cada elemento modelado à sua quantidade e a uma composição de custo, para que o orçamento acompanhe as mudanças do projeto.
O modelo BIM substitui o orçamentista?
Não. O modelo entrega quantidades de itens com geometria. O orçamentista define critério de medição, escolhe composições, trata itens sem geometria, como mobilização e ensaios, e confere o resultado. A ferramenta reduz a contagem manual, o julgamento continua dele.
Preciso classificar os elementos para extrair quantidade?
Precisa para que a extração seja repetível. Um sistema comum de classificação, como a família ABNT NBR 15965, dá o mesmo código à mesma peça no projeto, no orçamento e na compra. Sem ele, cada extração depende de nomes digitados à mão.
O SINAPI pode ser usado com quantitativo de modelo?
Pode. O SINAPI fornece composições e custos de referência. O que o modelo entrega são quantidades. O cuidado está na unidade, pois a quantidade extraída precisa estar na mesma unidade da composição escolhida.
Como saber se a quantidade do modelo está certa?
Compare uma amostra com o levantamento tradicional, por pavimento e por serviço, e registre a diferença e a causa. Peça também a versão do modelo e a lista de elementos fora da extração. Diferença sem explicação indica modelagem incompleta.
Fontes
- ABNT NBR 15965-5, Sistema de classificação da informação da construção, Parte 5: Resultados da construção (05/2022), ficha da Target (acessado em 30/10/2026)
- ABNT NBR 15965-4, Sistema de classificação da informação da construção, Parte 4: Recursos da construção (04/2021), ficha da Target (acessado em 30/10/2026)
- Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021 (Lei de Licitações e Contratos Administrativos), texto no Planalto (acessado em 30/10/2026)
- Decreto nº 10.306, de 2 de abril de 2020 (uso do BIM na construção de obras e serviços de engenharia pela administração pública federal) (acessado em 30/10/2026)