Plano de execução BIM (BEP): o que deve ter
Por Construção ConectadaPublicado em
O que é o BEP e por que ele vem antes do modelo
Sem plano de execução, cada projetista modela do jeito que sabe, e o coordenador descobre as diferenças só na primeira rodada de interferências. O BEP existe para trocar essa descoberta tardia por um combinado inicial. O modelo de BEP do BIM Forum Colômbia o descreve como o lugar onde se planejam estratégias, processos, recursos, ferramentas e sistemas para cumprir o que o cliente pediu, em uma ou mais fases do ciclo de vida do empreendimento.
O Senac, em seu anexo de requisitos de modelagem, chama o documento de Plano de Execução BIM, o PEB, e o define como o primeiro produto a ser entregue pela contratada e a base para acompanhar e medir todo o processo BIM. A lógica é a mesma: nada de modelo antes do plano.
Aqui o texto apoia-se em guias abertos e no decreto federal. O BEP tem origem na série ISO 19650, cujo texto integral é pago e deve ser consultado na edição vigente antes de ser citado em contrato.
Pré-contratual e contratual: dois momentos do mesmo documento
O modelo colombiano separa o BEP em duas versões. No pré-BEP, o contratante define a informação, a estratégia e as competências que espera, e os proponentes respondem com a sua proposta. Depois, com o contrato assinado, as partes acordam o BEP de execução, que passa a ser anexo contratual.
Essa divisão ajuda a contratar melhor. O pré-BEP funciona como filtro: quem não consegue responder às perguntas com clareza ainda não está pronto para modelar o seu projeto. O BEP de execução registra o que ficou combinado, com nomes e datas.
As seções que um BEP bom tem
Os modelos abertos consultados, o colombiano e o do Senac, convergem em um conjunto de seções. A tabela resume o que cada uma deve responder. A ordem e os nomes mudam de guia para guia, e o contrato pode acrescentar itens.
| Seção | Pergunta que responde |
|---|---|
| Dados do projeto e equipe | Quem é quem, com função BIM, empresa, disciplina e contato? |
| Objetivos e usos do modelo | Para que o modelo será usado: coordenação, quantitativos, planejamento, as built? |
| Normas e referências | Quais guias, normas e padrões a equipe segue, e em qual edição? |
| Estratégia de modelagem | Como o projeto é dividido, qual a origem comum e quantos níveis de vínculo? |
| Entregas e formatos | O que sai em cada marco, em qual formato e com qual versão do IFC, quando exigido? |
| Ambiente comum de dados | Onde a versão válida fica, com que nomes de arquivo e quem acessa o quê? |
| Coordenação | Quando ocorrem as rodadas de interferências e como as pendências são registradas? |
| Cronograma de entrega | Quem entrega o quê, até quando, em ligação com os marcos do projeto? |
Usos do modelo: o ponto em que o BEP fica ou não útil
A escolha dos usos do modelo é a parte do BEP que mais decide o resto. O guia de planejamento de execução BIM da Penn State organiza o procedimento em etapas e, na terceira versão, separa a definição dos objetivos da seleção dos usos do BIM, que antes estavam juntos. A ideia é que o uso nasce do objetivo do projeto, e não da moda.
O anexo do Senac segue o mesmo raciocínio: definir os usos no PEB alinha expectativas e permite fixar objetivos específicos por etapa. Se o objetivo da obra é prever o custo, o modelo precisa de elementos e propriedades que sustentem quantitativos. Se é planejar a execução, precisa de uma divisão que o cronograma entenda.
Cronograma de entrega e papéis
O modelo colombiano trata o plano mestre de entrega de informação, o MIDP, como anexo do BEP. Ele reúne os planos de entrega de cada equipe, os TIDPs, e diz quando cada informação deve estar pronta e quem responde por ela. Cada tarefa precisa de um marco ligado ao cronograma geral de projeto e construção, e não de uma data solta.
Um BEP não precisa ser longo para funcionar. O modelo colombiano, por exemplo, é feito de abas curtas, com campos para preencher, e foi pensado para qualquer empresa da cadeia da construção. A utilidade vem de cada campo ter uma resposta escrita e de alguém ser responsável por ela. Um plano de poucas páginas, lido e seguido pela equipe, vale mais que um volume extenso arquivado depois da assinatura.
Fica a pergunta de quem escreve o BEP. A contratada o elabora e o contratante o aprova. No decreto federal que regula o BIM em obras da administração pública, de 2 de abril de 2020, o texto não menciona o BEP. O decreto trata do nível de detalhamento e de informação dos modelos, que o contratante define na contratação, e da entrega em formato aberto. Em obra pública, o plano deve vir do edital e do termo de referência, e é prudente conferir se o documento da sua contratação o exige.
Conferência: cinco perguntas antes de assinar o BEP
Antes de aprovar o plano, o contratante pode ler o documento procurando respostas diretas a estas perguntas.
- Os usos do modelo estão ligados aos objetivos da obra e a decisões que a equipe vai tomar?
- Há uma origem comum e uma estratégia de divisão do modelo, escritas?
- Os formatos de entrega e a versão do IFC estão definidos por marco?
- Existe um ambiente comum de dados nomeado, com regra de nomes de arquivo?
- Cada papel tem uma pessoa e cada entrega tem um marco do cronograma?
O que fazer na segunda-feira
Pegue o seu último contrato de projeto em BIM e procure o plano de execução. Se ele não existe, comece com as oito seções da tabela e preencha duas por semana com os projetistas. Se existe, leia as cinco perguntas acima e marque o que falta. A norma da série ISO 19650 deve ser consultada na edição vigente do catálogo da ABNT antes de ser citada em edital.
Se a sua empresa quer conversar sobre como estruturar o plano de execução BIM nos seus contratos, escreva para a Construção Conectada pelo WhatsApp +55 11 93262-8591 ou em construcaoconectada.com/contato.
Perguntas frequentes
BEP é obrigatório?
Depende do contrato. A norma é uma referência técnica e passa a valer quando o contrato a cita. O decreto federal de 2020 não menciona o plano de execução, mas muitos editais e termos de referência o exigem. Confira o documento da sua contratação.
Qual a diferença entre BEP e PEB?
Nenhuma de conteúdo. BEP vem do inglês BIM Execution Plan e PEB é a sigla em português de Plano de Execução BIM. O Senac usa PEB e o modelo colombiano usa BEP. Os dois descrevem como a equipe atenderá ao pedido do contratante.
Quem escreve o plano de execução BIM?
A equipe contratada escreve, com base no pedido do contratante, e as partes o acordam. Na fase de licitação, o contratante pode entregar um modelo pré-contratual, que o proponente preenche com sua estratégia e suas competências.
O BEP muda durante o projeto?
Pode mudar. Os modelos abertos preveem controle de versões do documento, com data, motivo e responsável. O que não deve acontecer é a mudança acontecer só na prática, sem registro, porque aí o plano deixa de valer como referência.
Preciso de um software específico para fazer o BEP?
Não. O BEP é um documento, e os modelos abertos existem em formato de planilha e texto. O que importa é o conteúdo acordado. Já o ambiente comum de dados descrito nele pode exigir uma plataforma ou uma pasta bem governada.
Fontes
- BIM Forum Colombia e Camacol: modelo de Plano de Execução BIM (BEP), com CDE, MIDP e estratégia de modelagem (acessado em 31/10/2026)
- Senac, Anexo XV, BIM Mandante: requisitos de modelagem (modelo federado, ponto de referência, PEB, CDE, BCF, entregáveis) (acessado em 31/10/2026)
- Penn State: BIM Project Execution Planning, visão geral do procedimento (acessado em 31/10/2026)
- Decreto nº 10.306, de 2 de abril de 2020 (Planalto) (acessado em 31/10/2026)