Extração de quantitativos do modelo: boas práticas
Por Construção ConectadaPublicado em
O que a extração entrega e do que ela depende
O orçamentista abre a tabela do modelo e a laje do segundo pavimento aparece com a área certa. No pavimento de baixo, a mesma laje vem dividida em quatro pedaços, e dois deles sem a propriedade que o liga ao serviço do orçamento. A tabela existe, mas o número não pode ser usado. A extração é automática, a qualidade é de quem modelou.
Uma revisão sistemática de estudos brasileiros sobre orçamentação em BIM, publicada na revista PARC, da Unicamp, aponta a extração automática de quantitativos como um dos principais ganhos, ao lado da melhor visualização e da facilidade de testar hipóteses construtivas. A mesma revisão conclui que o BIM pode aumentar a precisão dos orçamentos desde que as diretrizes de modelagem sejam definidas previamente.
Defina o nível de detalhe antes de modelar
O principal desafio apontado na revisão é a dificuldade de definir o nível de detalhamento e de qualidade do modelo adequado ao orçamento. Modelar demais custa horas sem retorno. Modelar de menos deixa a quantidade sem lastro.
A saída é decidir com o orçamento, antes do projeto, quais elementos serão quantificados do modelo e quais continuarão por cálculo à parte. Para elementos que a equipe não vai modelar, como detalhes de acabamento, a tabela deve dizer isso, para ninguém supor que a ausência no modelo significa quantidade zero. O decreto federal de 2020 segue essa lógica ao deixar com o contratante a definição do nível de detalhamento e de informação dos modelos.
Parâmetros: o que cada elemento precisa carregar
A tabela é feita de propriedades. Sem o parâmetro certo, o elemento não entra na linha certa. A revisão da PARC e os estudos brasileiros que ela reúne tratam da necessidade de uma matriz de parâmetros para sustentar a extração. A tabela abaixo propõe os grupos que costumam ser exigidos, a ser ajustada com o seu orçamento.
Uma regra prática de modelagem é perguntar, para cada elemento, qual linha do orçamento ele vai alimentar. Se a resposta for nenhuma, o elemento só deve ser modelado para coordenação e deve estar marcado para não entrar nas tabelas. Se for mais de uma, o elemento provavelmente está agrupando serviços que a medição separa, e vale dividi-lo.
| Grupo | Exemplos de parâmetro | Para que serve |
|---|---|---|
| Identificação | Código de classificação, tipo e família | Ligar o elemento ao serviço do orçamento |
| Localização | Pavimento, bloco, eixo, frente de trabalho | Separar a quantidade por trecho e por frente |
| Geometria | Área, volume, comprimento, espessura | Gerar a quantidade medida |
| Material e serviço | Material, acabamento, serviço associado | Escolher a composição de custo |
| Fase e status | Existente, a demolir, novo | Evitar contar o que não será executado |
Classificação e tabela de custos conversando
A revisão da PARC registra que o sistema SINAPI exige adaptações para se integrar melhor ao BIM. Os serviços do SINAPI têm critérios próprios de medição, e o modelo pode quantificar de forma diferente. O caminho é escolher um sistema de classificação para os elementos, como o da NBR 15965, cuja edição vigente deve ser conferida no catálogo da ABNT, e montar uma tabela de correspondência entre elementos e serviços, mantida pelo orçamento.
Quando a equipe aceita que a correspondência é um documento vivo, ela passa a revisá-la a cada fase, em vez de descobrir diferenças no fechamento do orçamento. Para ver a classificação em detalhe, leia o artigo sobre a NBR 15965.
Conferência: quantidade extraída não é quantidade validada
O anexo do Senac exige que os arquivos nativos contenham a documentação gerada de forma automatizada e as tabelas de quantitativos extraídas do modelo, e adverte que um modelo com muitas inconsistências passa a ser menosprezado pela obra. O mesmo vale para o orçamento. Uma rotina curta de conferência protege a confiança.
- Compare uma amostra de quantidades com o cálculo manual de um trecho, antes de usar a tabela em todo o empreendimento.
- Procure elementos sem parâmetro de serviço, que ficam fora das tabelas.
- Procure elementos duplicados ou sobrepostos, que inflam a quantidade.
- Registre a versão do modelo usada na extração, ao lado da data e do responsável.
- Reconfira a tabela a cada revisão importante do projeto.
Do quantitativo ao orçamento, por fase
O decreto federal de 2 de abril de 2020 já coloca a extração de quantitativos entre os usos da primeira fase de implantação do BIM, a partir de 1º de janeiro de 2021, e o orçamento, o planejamento e o controle da execução na segunda, a partir de 1º de janeiro de 2024. A progressão mostra uma ordem sensata para qualquer empresa. Primeiro a quantidade sai do modelo e é conferida. Só depois ela alimenta o orçamento e o planejamento. Para o passo seguinte, leia o artigo sobre quantitativo 5D, do modelo ao orçamento.
O que fazer na segunda-feira
Escolha um elemento, como a alvenaria de um pavimento, e peça ao orçamento e à modelagem que extraiam a quantidade separadamente. Compare e anote cada diferença e sua causa. Essa lista será a primeira versão da sua matriz de parâmetros e das regras de modelagem do próximo projeto.
Se a sua empresa quer conversar sobre como preparar o modelo para gerar quantitativos confiáveis, escreva para a Construção Conectada pelo WhatsApp +55 11 93262-8591 ou em construcaoconectada.com/contato.
Perguntas frequentes
O quantitativo do modelo substitui o levantamento manual?
Substitui a contagem, não a conferência. Estudos brasileiros reunidos em revisão da PARC apontam a extração automática como um dos principais ganhos, mas dependem de diretrizes de modelagem definidas antes. Compare uma amostra com o cálculo manual para ganhar confiança.
Qual nível de detalhe o modelo precisa ter para quantificar?
Depende do uso. A revisão da PARC destaca a dificuldade de definir esse nível como o principal desafio. Combine com o orçamento quais elementos serão quantificados do modelo, e registre o que ficará fora, para não ser lido como quantidade zero.
Posso usar o SINAPI com as quantidades do modelo?
Pode, com cuidado. A revisão da PARC registra que o SINAPI precisa de adaptações para integrar melhor ao BIM. Monte uma tabela de correspondência entre elementos do modelo e serviços, e valide os critérios de medição de cada um.
Quem é responsável pela quantidade extraída?
O contrato deve dizer. Em geral, a modelagem responde pela qualidade dos parâmetros e o orçamento responde pela conferência e pelo uso. Escreva no plano de execução quem extrai, quem confere e qual versão do modelo é a base.
A extração de quantitativos muda a cada revisão do projeto?
Sim, porque as tabelas leem o modelo. Por isso cada extração registra a versão usada. Quando o projeto muda, a tabela é gerada de novo e a diferença é analisada antes de atualizar o orçamento e o planejamento.
Fontes
- Albuquerque, Miceli Junior e Pellanda (2023). Panorama, vantagens e desafios da orçamentação em BIM no cenário brasileiro. PARC, Unicamp (acessado em 31/10/2026)
- Senac, Anexo XV, BIM Mandante: requisitos de modelagem (modelo federado, ponto de referência, PEB, CDE, BCF, entregáveis) (acessado em 31/10/2026)
- Decreto nº 10.306, de 2 de abril de 2020 (Planalto) (acessado em 31/10/2026)